Senhor da Razão / 01.05.2010

O tempo é um dos temas que sempre atraíram a atenção do ser racional. Trata-se de conhecê-lo, diagnosticá-lo, para dar dimensões mais amplas ao desenvolvimento pessoal. A Filosofia ensina-nos que ele é um fluir constante. Uma sucessão ininterrupta, na qual todas as coisas que a experiência nos mostra nascem, existem e morrem. É fatalmente irreversível: nenhum esforço humano o pode deter, retardar ou acelerar. Tudo, com movimento perpétuo e revolução perene, passa e vai passando. Daí o natural interesse do homem pelo tempo.
  
Os sábios da Grécia falavam em seis idades: infância, puerícia, adolescência, juventude, idade adulta, velhice. Salomão e Confúcio sintetizavam a vida humana em três etapas: juventude, maturidade e velhice. Shakespeare classificou a existência humana em sete períodos. Sábios e pensadores, analisando a trajetória do homem neste mundo, vêm tecendo  considerações sobre o tempo e indagam: - Onde estamos? - Para onde vamos? - Que podemos saber? - Que devemos fazer? - Que nos é lícito esperar? Eis aí problemas fundamentais intimamente relacionados com o tempo. Seja qual for a solução, cada um joga com um período de vida que lhe é outorgado para levar a bom termo o fim supremo de sua existência.

O gênio de Aristóteles deixou esta definição: "O tempo é o número (soma) do movimento, segundo o anterior e o posterior". Daí a distinção entre o tempo cósmico, histórico e existencial, de tanta importância e conseqüências.

Magnífica a análise feita por Berdiaeff: "O tempo cósmico é calculado matematicamente sobre o movimento de rotação em torno do sol. Com ele se estabelecem os calendários e os relógios. Ele é simbolizado por um turbilhão. O tempo histórico está como que encaixado no tempo cósmico e se pode contá-lo matematicamente por dezenas de anos, por séculos, por milênios. Nenhum fato , porém, pode nele se repetir. Está simbolizado por uma linha dirigida para o futuro, para a novidade. O tempo existencial não se calcula matematicamente. Seu curso depende da intensidade com a qual se vive nele, depende de nossos sofrimentos e de nossas alegrias". Não se mede nem se avalia uma existência pelo número de anos, nem pelo período histórico, mas, sim, pela vivência plena e intensa, repleta de ações que perenemente repercutirão. Bem afirmou  Vieira: "Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los". As ações são, em verdade, os dias e é por elas que têm valor os anos.

O viver em plenitude cada instante é o segredo da verdadeira vida. Cristo viveu 33 anos. Alexandre Magno, 32. Tomás de Aquino, 48. Luís Gonzaga, 23. Alberto Magno, 32.  Franz Shubert, 31. Mozart, 35.  A eles e a tantos outros se aplica o dito da Escritura: "Tendo vivido pouco, encheram a carreira duma larga vida". Tanto é verdade que o importante não é viver muito, mas viver bem.

Os que tiveram existência longa só continuam na lembrança dos pósteros porque souberam bem se aproveitar de seus dias. Eis porque Horácio lançou esta sentença:"carpe diem, quam minimum credula postero" - aproveita o dia presente e não queiras confiar no de amanhã. Escrivá dá este  conselho: "Que a tua vida não seja estéril. Sê útil. Deixa rasto". É dos latinos a máxima: "age quod agis" - faze bem o que estas fazendo.



Goethe dá o motivo: "Cada momento, cada segundo é de um valor infinito, pois ele é o representante de uma eternidade inteira". Idéia já expressa por Apuleio: "tempus aevi imaginem" - o tempo é a imagem da eternidade. Virgílio advertiu que não se pode dissipar o tempo : "Fugit irreparabile tempus" - foge o irreparável o tempo. A ele fez eco Horário: "Eheu! Fugaces labuntur anni" - ai de nós, os anos fogem rápidos! Escapam-nos.

Razão teve Riminaldo ao escrever: "Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado". É de Bulwer-Lytton o dito famoso: "Time is money" - o tempo é dinheiro. Quevedo faz esta  ponderação: "Sabes tu, porventura, o que vale um dia? Conheces o preço de uma hora? Examinaste, já, o valor do tempo? Decerto não, porque o deixas passar, alegre, descuidado da hora que, fugitiva e secreta, te leva preciosíssimo roubo. Quem te disse que o que já foi, voltará, quando te for preciso, se o chamares? Dize-me: viste já alguma pegada do dia? Não! Ele só volta a cabeça para rir e zombar daqueles que assim o deixaram passar". 

Concluindo, o Tempo é o maior bem que desperdiçamos;
O senhor da razão nunca nos perdoará!






2 comentários:

Rejane-Enajer disse...

Eita, este posto é por demais amiga.Copie-o para enviar por e-mails aos amigos-adorei viu?
um bjão

Merlaine Garcês disse...

Que bom que gostou Rejane!
Abraços volte sempre!

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Conto com comentários sensatos e inteligentes!
Desde já,
Obrigada!

 

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